Será que o Ubuntu para Desktops vai morrer?

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Desde o lançamento da versão 11.04 do Ubuntu já era nítido que a “nova interface padrão do Ubuntu”, o Unity, não havia sido desenvolvido pensando no PC. Quem “adotou” o Unity como sua interface de desktop padrão desde seu início, assim como eu, conseguia reparar que todas as suas implementações e novidades que ficaram muito bem nos desktops, ficaria muito melhor em um dispositivo móvel, como um tablet ou um smartphone.

Ubuntu Phone OSNo ano passado, antes mesmo da Canonical anunciar de forma bombástica o seu “novo sabor de Ubuntu”, o Ubuntu Touch, Mark Shuttleworth, CEO da Canonical, deu uma entrevista durante a World Mobile Congress dizendo que a sua meta era ter o Ubuntu em 200 milhões de PCs e smartphones até 2015. Na época ao ouvirmos isso todos nós nos entusiasmamos: imagina, 200 milhões de computadores rodando Ubuntu seria realmente incrível! Porém não nos atentamos para a frase de Mark: … 200 milhões de PCs e smartphonespassado quase 1 ano, Mark explica melhor o que disse: sim, nós esperávamos 200 milhões de usuários contando com os smartphones e tablets. E pra confirmar seu ponto de vista, o Bug #1 do Ubuntu foi “corrigido”: a Microsoft não possui mais maioria de mercado frente ao Linux.

Eu costumo dizer que a estratégia de marketing da Canonical é algo incrível. Há quem diga que o Mark Shuttleworth é o novo Steve Jobs, pela sua política de “como lidar com os produtos” da empresa. Se formos pensar assim podemos entender que o objetivo dele sempre foi um: criar um sistema operacional Linux para usuários finais robusto, integrado com as diversa plataformas e dispositivos existentes e ganhar dinheiro com isso, apesar de não ter ficado muito bem claro no início e tão pouco ter sido anunciado (por questões óbvias).

Ganhar dinheiro com o Ubuntu?

Sim claro! Primeiro a Canonical é uma empresa, que assim como a Red Hat e a Novell, grandes nomes do cenário Linux, tem seu foco nos lucros. Porém por questões de licenciamento e principalmente por causa da Comunidade, a fonte de renda da Canonical não pode (e nunca poderá) ser o Ubuntu para desktops, o que acabou criando na Canonical a ideia visionária de se criar “produtos” que rodem o Ubuntu e possam ser lucráveis… justamente onde o Ubuntu Touch se encaixa perfeitamente.

Mas será que o Ubuntu para desktops vai morrer?

Ubuntu_penguin_v1_by_linksanSinceramente eu creio que não. No meu ponto de vista o “Ubuntu para desktops” deixou de ser o produto principal da Canonical, apesar da mesma afirmar que sua ideia é ter “um Ubuntu só para todas as plataformas”. Eu crio que à partir deste ponto em que o desenvolvimento e enfoque no Ubuntu Touch foi priorizado, a Canonical deverá encarar o Ubuntu para desktops da mesma forma como a Red Hat encara o Fedora Core: um sistema operacional comunitário que, apesar de ser mantido pela empresa, não receberá de primeira mão as novidades do “Ubuntu comercial” – o Ubuntu Touch.

Conclusão

Se formos analisar de forma prática, realmente o desktop (como conhecemos hoje) está morrendo. A própria Microsoft, empresa que sempre deteve maioria neste nicho de mercado, já visualizou isso e vem investindo pesado no mercado mobile. De certa forma eu acho certo a Canonical focar neste mercado também, até porque provavelmente ela vai fazer como o Google: disponibilizar o Ubuntu Touch para download free (como já está fazendo) e investir em parcerias OEM com as fabricantes e operadoras de telefonia móvel.

Com certeza a informática com desktops e notebooks não deixará de existir, mas com certeza em breve não será mais a principal fatia do mercado.

E você, o que acha disso tudo?

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