Projetos mirabolantes de Software Livre que não deram certo

Share

Pessoal, achei um post muito legal no blog do André Machado. Ele relembra idéias sensacionais (outras nem tanto) sobre Softwares Livres que infelizmente não foram pra frente.

Eu ri muito… Gostei e me dei a liberdade de reproduzir a maior parte da matéria.

Ao longo do texto existem vários links que ao serem clicados só aumentam a credibilidade do assunto abordado. Vale a pena conferir. Chega a ser inacreditável! Segue abaixo o post:

 

 

 

 

Por André Machado.

Neste post, vamos relembrar alguns dos projetos que tinham tudo para dar certo mas acabaram caindo no esquecimento.

Alky

O projeto começou a ganhar fama em meados de 2006, saindo inclusive no BR-Linux. A ideia era ousada: todos sabemos que o Wine é um programa que permite rodar alguns aplicativos feitos para Windows no Linux. Alky queria ir além: ele queria converter os aplicativos do Windows para executáveis nativos do Linux e do Mac OS X. Foi anunciado como a salvação dos gamers e usuários que precisavam usar programas como Photoshop e AutoCAD mas queriam entrar de cabeça no mundo livre.

Nem é preciso dizer que o anúncio gerou polêmica, pois muitos alegavam que a conversão dos executáveis seria uma versão do sistema. A empresa responsável pelo projeto prometeu liberar os fontes quando tivesse alguma coisa pronta e anunciava que a tecnologia já funcionava perfeitamente no sistema da Apple. No final do mesmo ano em que fora anunciado pelo BR-Linux, o site do projeto saiu misteriosamente do ar e o canal IRC foi abandonado. Hoje, a página do projeto Alky pertence a uma empresa de domain parking.

LINE

Se o Wine permite rodar aplicativos do Windows no Linux, o LINE – Line Is Not A Emulator – prometia o contrário: rodar programas do sistema do pinguim no sistema do tio Bill. Os arquivos do projeto continuam disponíveis para download. Os mais recentes são de Maio de 2001. Precisa dizer mais alguma coisa?

Precisa: apesar de o LINE não ter dado certo, hoje existem outras tecnologias que permitem isso. Um exemplo é o CoLinux. Os ambientes de virtualização atuais, como Virtualbox e VMWare também permitem esconder a tela do sistema virtualizado e dar a impressão de que os programas dos dois sistemas estão rodando no mesmo ambiente.

WinLinux

Antes da febre das distribuições em live-cd – iniciada pelo projeto Knoppix, as primeiras tentativas buscavam rodar o Linux em cima do MS-DOS. O Slackware, por muito tempo, ofereceu uma versão mínima de seu sistema chamada ZipSlack que cumpria esse fim. Outra distribuição mais famosa que rodava sobre o sistema de linha de comando da Microsoft era o Monkey Linux.

O problema é que, com o lançamento dos Windows 9x, ficou meio difícil rodar o Linux no DOS. Foi aí que surgiu o WinLinux, uma distribuição de Linux que rodava em cima do Windows. Funcionava assim: você inseria o CD, instalava a distro como se fosse um programa e quando se queria usá-la, era só selecioná-la a no Iniciar. O micro era reinicializado e a distro entrava no ar.

A ideia não é, assim, tão absurda. Hoje em dia, o Ubuntu vem com o Wubi, que serve justamente para este fim e, além do mais, seria a solução perfeita para quem quisesse conhecer o Linux mas tivesse medo de mexer em seu computador. O WinLinux foi o pioneiro, apesar de ter cometido dois erros fatais.

Primeiro, a distro não era livre. Apesar de ela ter uma versão free, seus termos de licença proibiam sua redistribuição, o que limitou seu market share e, segundo, a distro não se atualizou tecnologicamente – A última versão lançada do WinLinux foi a 2003 e, em seu site, que hoje está fora do ar mas ainda pode ser acessado pelo Web Archive, é dito que a “distribuição” apenas funcionava nos Windows 95, 98 e ME. É claro que eles tentaram correr atrás do então dominante Windows XP mas, pelo visto, não conseguiram e foram obrigados a fechar as portas. Hoje em dia, porém, há outro projeto que segue o mesmo caminho, o TopologiLinux.

GoneME

Lá pelos idos de 2004, um desenvolvedor chamado Ali Akcaagac estava insatisfeito com os rumos os quais o projeto GNOME estava tomando e resolveu criar um fork do ambiente, chamado GoneME. Nesta página, ele oferece um pequeno binário para download e explica por que o projeto não deu certo.

Blanes

Blanes foi um projeto nacional de se fazer um ambiente desktop com a aparência similar ao Windows. O projeto era promissor, mas muitos usuários disseram que o desenvolvedor foi tomado pelo “lado negro da Força” e o ambiente acabou ficando com uma associação muito negativa. Aqui é possível ver a página original da última versão lançada. Atualmente, parece que o Blanes se transformou em mais uma distribuição baseada no Debian Etch. Segundo a página, embora a distro possa ser distribuída livremente, é necessário comprar uma chave de ativação para usar os aplicativos desenvolvidos pela empresa para ela.

Corel Linux

Essa é a típica distribuição cabeça de bacalhau: a gente sabe que existe, mas ninguém nunca viu. Em um determinado ponto, a Corel resolveu se voltar ao mercado Linux e lançou sua própria distribuição que, inclusive, tinha uma versão do Corel DRAW já instalada (a qual, depois, descobriu-se que rodava sobre o Wine). Então, veio uma crise, a Microsoft ajudou com alguns milhões e… tchau, distro!

Pulga Linux

Você sabia que, antes do Kurumin, Carlos Eduardo Morimoto lançou outra distro chamada Pulga Linux? Pois é, pouca gente sabe. Existem poucos registros dela, como este e este. O mais interessante é que, para instalá-la, era necessário usar o g4u, uma espécie de versão livre do Norton Ghost. Eu, hein?

Tropix

Antes mesmo de existir o Linux, existia um sistema operacional unix-like desenvolvido no Brasil, com kernel e bibliotecas próprias: o Tropix. Na página oficial, é possível ver que o sistema tem até o seu X Window System próprio. No entanto, o sistema, que tinha tudo para ser um orgulho nacional, está largado às traças desde 2008 (Nota: há alguns anos, quando visitei a página, parecia que a mesma tinha sido atualizada pela última vez em 1999. Ainda bem que, de vez em quando, alguém se lembra de mexer no código).

Internet Explorer for Unix

Tudo bem, este não é nem de longe um projeto de software livre, mas é necessário deixar registrado que ele existiu de fato. De acordo com a Wikipedia, o desenvolvimento do navegador da Microsoft para Unix começou em sua versão 4, no ano de 1996. Foram lançadas versões para HP-UX e Solaris. O artigo diz que houve vários problemas sobre a propriedade intelectual do código-fonte. O maior chamariz era que, através do IE para Unix, era mais fácil acessar documentos do Offce 2000. Essa versão, no entanto, não era compatível com os famigerados ActiveX.

A página do navegador foi abruptamente removida do site da Microsoft no terceiro trimestre de 2002, sendo substituída por uma simples mensagem, sem mais explicações. Posteriormente, a empresa disse que a baixa demanda por usuários não justificava os gastos no desenvolvimento. No entanto, ainda é possível comprovar a existência destas páginas no Web Archive aqui e aqui.

E você? Conhece outro projeto que tinha tudo para dar certo mas acabou andando para trás? Então não deixe de relatar isso nos comentários!

 

fonte:

http://espacoliberdade.blog.br/blog