O Ubuntu para Smartphone e Tablets será um sucesso absoluto ou apenas um vapor?

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O Ubuntu Phone mau foi anunciado e já chama tanta atenção por parte da mídia, especializada ou não, que fica difícil fazer uma analise imparcial sobre ele. Sucesso garantido ou apenas mais um que vem para chamar atenção e depois sumir (ou virar algo de nicho)?

A que grupo de pessoas interessa ter hoje um smartphone com Ubuntu instalado? Basicamente, Ubuntusers. São poucos? Pode ter certeza que não, afinal, a Canonical não estaria a tantos anos desenvolvendo sua distribuição baseada em Linux atoa. Não há como ter certeza do número médio de usuários das versões Desktop e servidor, nem mesmo pelo contador que há no site da empresa, afinal, nem todos os usuários se dão ao trabalho de cadastrar-se lá.

Nos últimos anos, a Canonical evoluiu seu sistema de intermediário entre o Debian Sid e Testing para o mais usado no desktop. Ainda há quem diga que não passa de uma distro cheia de enfeites, que é a entrada de lammers ao mundo Linux, etc…. Mas ninguém pode negar o quanto a popularidade e adoção do software livre cresceu depois do lançamento do Ubuntu.

Empresas que até então não se interessavam em ter uma versão de seus produtos rodando no Linux sentiram-se seguras em trabalhar em parceria com a Canonical para portar seus sistemas a outra plataforma. Vale lembrar que nem mesmo Red Hat conseguiu atrair tantos interessados a seu sistema (independente do foco ser Desktop ou Servidor).
Cerca de um mês e meio depois, repetindo a imagem do cronometro com uma contagem regressiva, eis que é anunciada a versão para Tablets, algo que já era bastante previsível, pois diferente da Mozilla, não iriam focar-se apenas na versão para smartphones.

Ubuntu Phone na CES 2013
Ubuntu Phone na CES 2013

Então as versões mobile são sucesso garantido? Veremos uma migração em massa de insatisfeitos com o Android para o novo sistema? Pode ter certeza: na área mobile o buraco é mais em baixo.

Se por um lado, a quantidade de usuários do Ubuntu são mais que suficientes para provar que o Linux já ultrapassou a tão difundida margem de 1% de usuários Desktop, em se tratando de smartphones, é provável que a investida seja diferente, em um primeiro momento gerando uma migração em massa de fanáticos e curiosos, que podem acabar desistindo e retornando ao Android ou partindo para o Firefox OS. Porque? Não só uma má politica de atualizações e correções (conheço muitos que irritaram-se com o exeço de atualizações semanais, retornaram para as distros anteriores ou mesmo partiram para outras) mas a falta de desenvolvedores de APPs.

Mas a base do sistema não é o HTML5, tal como W8, Tizen e FFOS? Sim, mas isso não é suficiente para que o código feito para uma web-app do W8 funcione nos demais sistemas, só porque foi feita em uma linguagem multiplataforma.

Lembra do Kylix? Sabe porque ele foi um fracasso? O Delphi não era uma das RADs mais famosas do universo Windows e porta-lo para o Linux não seria uma oportunidade para desenvolvedores em todo mundo ter uma versão multiplataforma de seus sistemas? Na teoria era isso o que deveria acontecer, mas a prática mais uma vez mostrou-se diferente, pois apenas quem começasse seus projetos na versão 6 e 7 do Delphi poderia ter código único para ambas as plataformas. Da versão 5 para trás, salvo poucas exceções, era obrigatório re-escrever muito código que fosse dependente de chamadas específicas do Windows; portanto o tempo gasto com a reescrita torna-va inviável esse porte para as empresas.
O que poderá acontecer hoje? Quem programar para W8, FFOS e UP, e usar uma SDK específica para cada sistema operacional acarretará chamadas especificas a funções exclusivas a eles (acha mesmo que a Microsoft não vai tentar nada para amarrar as web-apps exclusivamente a seu sistema?) causando incompatibilidade, obrigando reescrita de código de uma plataforma para a outra.

Exemplo de aplicações que poderão ser integradas ao Ubuntu para Tablets
Exemplo de aplicações que poderão ser integradas ao Ubuntu para Tablets

Ubuntusers com certeza irão dizer que surgirão projetos exclusivos a plataforma, mas aqui, novamente levamos em consideração NÚMEROS. Mais específico, o números de programadores interessados em desenvolver exclusivamente a um SO recém lançado. Mesmo que a Canonical faça ‘promoções’ incentivando (pagando) a criação de novas APPs, não tenho dúvida de que irão aparecer o que costumo chamar de “Abandonware”, soluções livres surgidas da empolgação inicial de programadores (muitas vezes durante curso de programação ou da faculdade) que, ao não verem retorno financeiro em um prazo mínimo (aceitável), acabam perdendo a empolgação inicial, deixando o projeto ‘ao relento’.

Temos um longo caminho até o lançamento da versão final do Ubuntu Phone e Tablets, que em pouco mais de 18 dias de anuncio a versão para smartphones já teve como novidade, a possibilidade de pluga-lo a um monitor, mouse e teclado (sem fio) externo, fazendo-o tomar a forma tradicional da versão Desktop, algo que irá se repetir com a versão para tablets. É um diferencial enorme, que sem dúvidas conta como vantagem, mas só o tempo dirá se esse novo investimento da Canonical será bem sucedido e por quanto tempo.

Uma certeza podemos ter: vapor ele não é!

E você, caro leitor, o que acha? Não deixe de comentar.

Artigo enviado por Daigo asuka

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