Conheça o Bodhi Linux: a sua próxima distribuição

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O Bodhi Linux é uma distribuição Linux semi rolling release, baseada nas versões LTS do Ubuntu e com uma grande gama de aparelhos em que pode ser instalado. Suas principais características são:

Minimalista: vem com pouquíssimos aplicativos, apenas o navegador (Midori), um editor de texto (Leafpad), um programa para gerenciar arquivos, o compactador (File Roller) e o Synaptic. A ideia da distribuição é que o usuário deixe o sistema inteiramente ao seu gosto, sem que fique com um monte de aplicativos que o usuário jamais vai usar; mas esse minimalismo também prejudica usuários iniciantes, pois nem tem aplicativos que criem ou altere dados de usuários em modo gráfico, tem-se que recorrer ao adduser ou useradd pelo terminal.

Semi rolling-release: o ciclo do kernel do Bodhi Linux ainda respeita o ciclo de desenvolvimento das versões LTS Ubuntu, mas em todo o resto do sistema, o ciclo de lançamento é rolling-release, ou seja: sempre terá as versões estáveis mais recentes, seja quanto a interface gráfica, seja quanto a qualquer outro aplicativo que esteja instalado nele.

Enquanto atualmente distribuições baseadas no Debian mais voltadas para usuários iniciantes no universo Linux (como o Ubuntu e o Mint) têm investido em centrais de aplicativos com um visual mais amigável porém bastante pesadas e mostrando poucas informações sobre os pacotes que estão sendo baixados e instalados. O Bodhi Linux vai no sentido contrário, o App Center fica no site da distribuição ( http://appcenter.bodhilinux.com/ ), e no computador temos o Synaptic, que apesar de não ter o visual mais moderno do mundo, ele tem recursos muito bons como gerenciar atualizações e gerar scripts para download em qualquer computador dos pacotes de aplicativos que desejar instalar, além de mostrar claramente tudo o que está sendo instalado; além disso podemos contar sempre com o Apt-Get e com o Aptitude.

Requisitos mínimos para instalar o Bodhi Linux: 300 MHz de CPU, 128 Mb de RAM e 2,5 Gb de HD (eu já testei num computador com 500 Mb de RAM e ele funcionou perfeitamente e sem travar)

Interface

Numa época em que as interfaces gráficas atuais das principais distribuições se encontram divididas entre dois grandes grupos: as interfaces cheias de recursos mas que exigem muito de hardwares antigos, e as interfaces leves que oferecem poucos recursos de usabilidade porém são muito rápidas e rodam tranquilamente em computadores antigos; eis que o Enlightenment (E17) ganha força, com uma interface muito leve, extremamente personalizável (pode ser usada de desktops e notebooks, e até mesmo em tablets e smatphones), cheia de efeitos e com uma beleza que impressiona. esta é a interface padrão do Bodhi Linux que se encaixa perfeitamente no estilo minimalista da distribuição.

Como o Bodhi Linux também mantém versões para a arquitetura ARMHF, há uma preocupação em se deixar a interface adaptável tanto para notebooks e desktops quanto também para tablets e smartphones (veja aqui como instala-lo num Nexus 7: http://jeffhoogland.blogspot.nl/2012/12/bodhi-armhf-alpha-for-nexus-7.html ), mas ao contrário da imensa maioria das interfaces que buscam criar um meio termo (creio que nenhum usuário de desktops gosta desta “tabletização” das interfaces gráficas), o E17, por trabalhar com módulos, não tem um padrão a seguir, ele pode ser modificado completamente para se ajustar ao modo de uso (por que usar o dedo para interagir com a interface é muito diferente de usar o mouse!)

Os módulos são um dos principais pontos fortes do E17, eles definem os recursos que serão carregados pela interface, exemplo: para quê ter um monitor de bateria e definições sobre o fechamento da tampa do notebook se a pessoa usa um computador de mesa? logo, os módulos ajudam a direcionar recursos para o modo de utilização e com isso diminui o consumo de RAM e CPU pois você só ativa o que precisar.

Mas devido aos atalhos de teclado fugirem bastante aos padrões de outras interfaces mais populares, pode gerar conflito com alguns aplicativos como o Inkscape (ainda estou tentando descobrir como se resolve isso), que quando se começa a digitar em vez de aparecem as palavras no campo de texto, ele vai mudando de ferramentas a cada letra digitada (passando para ferramentas de desenho, seleção, etc.)

Abaixo temos uma galeria de imagens do Bodhi em ação:

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Considerações finais

O Bodhi Linux está longe de ser uma distribuição voltada para iniciantes justamente por ter poucos aplicativos e o uso da interface gráfica ser bem diferente das demais, seja no modo como as configurações estão organizadas e até mesmo nos atalhos de teclado (não digo que é mais difícil, apenas é diferente e isso requer adaptação), mas permite um nivel de personalização e um controle sobre os seus recursos que constrata bastante com o rumo de diversas distribuições e interfaces gráficas mais populares, além da versatilidade de se poder instalar em vários tipos de aparelhos.
creio que por ser desenvolvido em comunidade, há uma grande preocupação sobre como o usuário se sente ao utiliza-lo. o Bodhi Linux é inovador em diversos sentidos como puderam ler acima, recomendo que ao menos testem nem que seja só para ter alguma noção sobre como ele é e experimentem este outro modo de pensar sobre o uso do sistema operacional.

Vocês podem encontrar mais informações e fazer o download no site oficial da distribuição: http://bodhilinux.com/

Artigo enviado por Lincoln de Macêdo

Nerd desde que se entende por gente, fanático por história, livros clássicos, Linux, música erudita e personalização do desktop; atualmente estuda administração de sistemas Linux