Canonical anuncia novos detalhes do Ubuntu Phone OS, confira!

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Em entrevista ao site Engadget, Richard Collins, gerente de produtos mobile da Canonical, anunciou alguns detalhes importantes sobre o desenvolvimento do mais novo produto da Canonical, o Ubuntu Phone OS.

Como já havia sido anunciado no começo do ano e apresentado na CES 2013, o Ubuntu Phone OS está sendo desenvolvido otimizado para arquiteturas ARM e com os drives do Android, porém não rodará aplicações do Android, as quais são conhecidas como Dalvik, ou seja, aplicações em Java Virtual Machine (JVM) para Android. Em contra partida o Ubuntu Phone OS rodará basicamente aplicações escritas em QML, HTML5 e OpenGL.

Richard Collins, Gerente de produtos Mobile da Canonical
Richard Collins, Gerente de produtos Mobile da Canonical

Segundo Collins, esta iniciativa é para incentivar os desenvolvedores a criarem aplicações específicas para o Ubuntu Phone OS:

Muitos desenvolvedores Android já utilizam o Ubuntu como seu OS de desktop. Temos a intenção de incentivá-los a fazer suas aplicações Android rodarem no Ubuntu, mas não vamos projetar qualquer middleware para a execução de aplicativos Android no Ubuntu Phone OS. Os desenvolvedores são inteligentes e capazes o suficiente para fazer seus aplicativos executarem em nossos dispositivos.

Abaixo irei comentar os pontos que julguei mais importantes da entrevista de Richard Collins:

O Ubuntu Phone OS será basicamente o mesmo Ubuntu para Desktops? E as aplicações de desktops, como se pretende que rodem nos smartphones?

Richard Collins disse na entrevista que ambos tem a mesma base de códigos, no que diz respeito ao Unity. A ideia da integração do Ubuntu Desktop com o Ubuntu Phone é proporcionar uma experiência bem particular de acordo com o dispositivo em que o Ubuntu está sendo executado. Isso faz com que seja fácil para os desenvolvedores dizer: “aqui está um aplicativo para Ubuntu que funciona perfeitamente na área de trabalho e eu só tenho que adaptá-lo usando as ferramentas que o Ubuntu oferece, a fim de fazê-lo funcionar em um smartphone.” (se você é um dos que percebeu que o Unity era uma interface otimizada para tablets assim que ele foi lançado, aqui está a sua resposta)

Apesar da ideologia de integração, as aplicações nativas para o Ubuntu Desktop ainda terão que ser portadas afim de que rodem em processadores ARM. E para facilitar o trabalho dos desenvolvedores, a Canonical irá lançar um SDK juntamente com o Ubuntu Phone OS para que facilite a criação de Apps que funcionem perfeitamente em smartphones e desktops.

Market de Apps ou Central de Programas?

Collins comentou na entrevista que, em um primeiro momento, a Canonical não pensa em liberar uma loja de aplicativos para o Ubuntu Phone OS e sim liberar o OS com um conjunto básico de Apps que iria suprir as necessidades dos usuários. Segundo ele, a estratégia da Canonical é também incentivar as operadoras de telefonia a liberarem suas aplicações em conjunto com o sistema.

Outro detalhe interessante que Collins comentou é que o Ubuntu Phone OS terá acesso total ao Ubuntu Software Center (o que talvez seja o motivo de não estarem pensando em um Market específico para o Ubuntu Phone).

Uma observação importante é que já foi anunciado na Wiki do Ubuntu uma chamada para o desenvolvimento deste “pacote básico de Apps” (Gerenciador de Arquivos, Agenda, Relógio / Alarme, Clima, Terminal, Calculadora, Email, Visualizador de Documentos, Youtube, Twitter, Facebook e Leitor RSS).

Qual a vantagem do Ubuntu Phone OS em relação ao Android?

Para Collins a principal vantagem do Ubuntu Phone OS é a liberdade que as empresas e desenvolvedores terão em disponibilizar seus aplicativos junto ao sistema sem a necessidade de taxas e questões de licenciamento, como ocorre com o Android e os aplicativos nativos do Google.

Qual seria a fonte de renda da Canonical com o Ubuntu Phone OS?

Collins abordou duas formas que a Canonical enxerga para capitalizar recursos com o Ubuntu Phone OS. Uma delas seria cobrar das operadoras o licenciamento de cada dispositivo que rode o Ubuntu Phone OS (o que talvez geraria conflitos de licenças de software livre, apesar de nada ter sido comentado ainda sobre qual será o licenciamento do Ubuntu Phone OS). Outra forma seria uma brecha comercial que a Canonical já visualizou no mercado mobile: os fabricantes de hardware e operadoras não querem se concentrar em softwares. Eles querem que empresas (como a Canonical) possam desenvolver e gerir em seu nome o que poderia ser comercializável para elas.

Amazon e outras publicidades

Ao contrário do que muitos pensavam ou desejavam, Collins afirmou que a Canonical pretende estudar com as operadoras as possibilidades de se levar publicidade ao Ubuntu Phone OS. Ele disse ainda que a implementação das publicidades da Amazon no Ubuntu Desktop deverão ser introduzidas no Ubuntu Phone OS.

O que a Canonical quer com o Ubuntu Phone OS?

Collins disse que a empresa ainda não está certa dos seus objetivos a médio e longo prazos. A ideia inicial é liberar um sistema com componentes de alto desempenho que permita que um Ubuntu Phone possa funcionar perfeitamente quando acoplado a um Sistema Operacional de desktop.

Com relação a uma “visão de futuro”, Collins espera que em 2016 o Ubuntu Phone OS seja responsável por 7 a 8% do mercado mobile.

Ubuntu Phone na CES 2013
Ubuntu Phone na CES 2013

Outras questões foram levantadas na entrevista, como por exemplo a concorrência com o Firefox OS e o S40 da Nokia, os tipos de dispositivos que o Ubuntu Phone OS poderá rodar e onde fica a Microsoft nisso tudo. Acesse este link e leia a entrevista na íntegra.

Comentário

Tomando como base a estratégia Comercial e de Marketing que a Canonical vem adotando ao longo do tempo com seus produtos, eu creio que exista muita coisa que ainda não foi revelada (ou que foi dito que não se sabe ainda) porém já está bem decidida nos bastidores.

Mark Shuttleworth é um visionário e eu tenho certeza de que a tática que está sendo adotada irá fazer o Ubuntu Phone OS passar destes 8% esperados, apesar de não enxergarmos isso agora. Haja vista o atual sucesso do próprio Ubuntu, como por exemplo a chegada do Steam para Linux, que não era nem cogitada a 3 anos atrás.

Agora desbancar o Android…. sinceramente eu tenho minhas dúvidas.

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