Afinal, o Ubuntu está produzindo Spyware ou não?

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A alguns dias atrás foi publicado uma matéria no blog oficial da Canonical explicando sobre as novidades relacionadas as pesquisas no Dash do Ubuntu 13.04. Dentre elas foram ressaltados temas como “mais empresas parceiras da Canonical para divulgar conteúdo publicitário no Dash” e a possibilidade de se realizar “compras diretamente pelo Dash”.

Isto foi o suficiente para em apenas algumas horas depois, Richard Stallman, o fundador da Free Software Foundation (ele foi o cara que criou o Projeto GNU e idealizou as Leis da Liberdade do Software), escrever uma matéria acusando o Ubuntu de produzir spyware. Não preciso nem dizer que os Anti-Ubuntu logo “dispararam” comentários inflamatórios em toda a Comunidade Linux.

Afinal, o Ubuntu está produzindo Spyware ou não?

Antes de mais nada temos que entender o que é spyware. Segundo a Wikipédia, os Spywares consistem em programas automáticos de computador, que recolhem informações sobre o usuário, sobre os seus costumes na Internet e as transmite a uma entidade externa na Internet, sem o seu conhecimento nem o seu consentimento. Outro conceito interessante que quero ressaltar é o Adware, que como o nome já sugere (advertising spyware), são conhecidos por trazerem na tela do usuário algum tipo de propaganda.

Antes de entrarmos no caso “Ubuntu Spyware”, eu quero te fazer uma pergunta: você usa o Facebook? Se sim, você já leu as políticas de privacidade do Facebook? Se já leu, deve ter percebido que os Adwares são comuns na rede e você NÃO TEM A CAPACIDADE DE PROIBIR SUA EXIBIÇÃO NO SEU PERFIL. Bom, você pode estar dizendo: “não sou dominado pela mídia, eu não tenho conta no Facebook”. Legal, então provavelmente você use o Google Plus. E você já leu a Política de Privacidade do Google Plus? Você sabia que, apesar de não terem propagandas veiculando nas páginas da rede social (ainda), as suas pesquisas e atos na rede são monitorados pelo Google para gerar publicidade pra você nas buscas do Google ou em páginas aleatórias com conteúdo do Google AdWords?

Voltando ao assunto central, eu acho certo a preocupação do Richard Stallman e inclusive não enxergo de uma forma “completamente positiva” a implementação de publicidade no Ubuntu, porém é mais do que claro de que o Ubuntu não está produzindo Spyware simplesmente pelo fato de que você, usuário, tem a possibilidade de desativar as buscas online no Dash.

Jono Bacon, um dos principais desenvolvedores do Ubuntu e líder do projeto Ubuntu Gnome Remix, publicou um post em seu blog pessoal comentando as declarações de Stallman, onde ele deixa bem claro:

O objetivo do Dash no Ubuntu sempre foi o de proporcionar um lugar central em que você possa pesquisar e encontrar coisas que são interessantes e relaventes para você. Ele é projetado para ser o centro de sua experiência. Agora, este é um grande objetivo, e estamos apenas a meio caminho ao longo do caminho para alcançá-lo.

Hoje em dia ele não é perfeito – é preciso melhorar a precisão dos resultados, apresentar os dados de forma mais eficaz, e continuar a expandir a cobertura e a capacidade de dados em pesquisas no Dash. A cada nova versão do Ubuntu nós recebemos um feedback incrível da nossa comunidade e nós nos esforçamos para refinar e iterar em todas essas áreas, de modo que as versões posteriores ofereçam uma experiência mais e mais atraente, livremente disponíveis e compartilhável para todos.

Naturalmente, a privacidade é extremamente importante para nós neste trabalho. Na história de oito anos do Ubuntu e da Canonical temos sempre colocado a privacidade como uma alta prioridade através de muitos, diversos sites, serviços e softwares que formam a plataforma Ubuntu e a comunidade.

O desafio, claro, é que a privacidade é uma coisa profundamente pessoal e da maneira de você definir as expectativas de privacidade, provavelmente, diferem radicalmente de cada um dos seus amigos, e vice-versa.

(…)

Queremos que o Ubuntu seja uma plataforma segura, previsível e agradável para todos, independentemente de suas opiniões pessoais sobre a privacidade, mas também respeitamos que haverá algumas pessoas que não se sentem bem e estamos fazendo o suficiente para manter suas necessidades de privacidade pessoal.

Eu respeito muito o Stallman e o admiro incondicionalmente, porém acho muito forte e muito “xiita” ou “estremista” da parte dele dizer:

Se você recomendou ou redistribuiu o GNU/Linux, por favor, remova o Ubuntu da sua lista de distros que você recomendaria ou redistribuiria. (…) Em Install Fests, em seus eventos do Software Freedom Day, em seus eventos FLISOL, não instale ou recomende o Ubuntu. Em vez disso, diga às pessoas que o Ubuntu é evitado por espionagem (…) você pode também dizer-lhes que o Ubuntu contém programas não livres e sugere outros programas não livres.

Leia o que a FSF fala sobre o Ubuntu em sua página de distros GNU/Linux: http://www.gnu.org/distros/common-distros.html#Ubuntu

Vinícius, por que o nome do blog é Seja Livre se você está apoiando esta iniciativa não-livre da Canonical?

Em primeiro lugar eu não estou apoiando iniciativa alguma, até por que se você é leitor assíduo do Seja Livre já me viu “descendo a lenha” em iniciativas da Canonical que eu não concordo. Porém, apesar de não concordar com estas e outras iniciativas, eu sou usuário Ubuntu e acho ele uma das únicas distribuições Linux desta nossa geração que seja capaz de competir com soluções fechadas, como o Windows e o Mac. Acho isso não só pela interface “bonitinha” ou pelo “incrível reconhecimento do hardware”, mas levanto esta bandeira pois a intenção por trás do Ubuntu é de torná-lo um “Linux para seres humanos”, ou seja, um Sistema Operacional que tanto os usuários avançados quanto os usuários básicos (ou os recém integrados digitalmente) possam usufruí-lo e integrá-lo com as outras plataformas com facilidade.

Se você está com “medo de usar o Ubuntu” por achar que seus dados serão expostos na web, acesse Configurações do Sistema >> Privacidade e desmarque as opções “incluir resultados de pesquisa on-line” e “registro de atividades” e seja feliz!

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