Você sabe o que é Hackerspace & FOSS?

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O processo de desconstrução de softwares, desenvolvimento de programas em códigos abertos, para que a mesma sociedade que se beneficia deles possa melhorá-los e diversas outras ações sobre programas e programação são atribuídas aos hackers. Diferente do que o imaginário e vários filmes dos anos 90 nos fizeram acreditar, hacker não é “do mal”, não é bandido. O hacker apenas defende a liberdade de alteração e motivado por uma curiosidade infinita, acessa os códigos, modifica, melhora e distribui o conhecimento, na melhor prática daquilo que o ET Bilú pediu, “busquem conhecimento”.

Mas por vezes, o mundo virtual parece demasiado distante da praticidade do dia a dia, e aquela sensação de querer fazer algo à mais impulsiona os hackers em outra direção. A de modificar também objetos e equipamentos. Não dá para dizer que isso é um processo novo, o homem desde as caldeiras de vapor pegam uma criação, desmontam, compreendem e aperfeiçoam, num processo batizado de Engenharia Reversa ou em inglês, benchmark. Os japoneses fizeram isso com as fitas VHS e os formatos dos vídeo cassetes.

Seja como for, a notação hacker para estas modificações e alterações é recente, mas o ato não. A programação em Arduino é um dos mais conhecidos processos de construção hacker atualmente. Desenvolver placas controladoras e formas de levar para o mundo físico aquilo que se faz no mundo virtual. Mas quando diversos destes hackers se unem ao redor deum laboratório, com toda aparelhagem possível, de qualidade boa ou duvidosa, este é um conceito ainda mais novo no país, o chamado Hackerspace ou HackerLab.

Hackerspace é um espaço físico no qual você pode fazer com equipamentos aquilo que os hackers fazem no mundo virtual, com softwares. Geralmente são porões, locais baratos e bem aparelhados para executar a filosofia hacker em equipamentos. São Paulo possui um chamado Garoa, num condomínio tão lindo quanto antigo chamado Savoia, de arquitetura italiana, casas de tijolinho e um pátio interno, grupos de jovens se reúnem no porão 0, um dos porões da casa, para desenvolverem e criarem coisas novas, coisas inacreditáveis, ou apenas discutirem e compartilharem o que sabem.

O Garoa, por exemplo, fundado em São Paulo, localizado na rua Vitorino Savoia do bairro de Santa Cecília, centro antigo de São Paulo, mantém na sua filosofia de só empregar softwares livres, mantém uma agenda de temas por dias, para organizar o uso do espaço e já está inclusive, cadastrado como uma associação e possui até mesmo um quadro diretivo (Conselho Manda Chuva, CMC), ocupado pelo “Chanceler Supremo” Lord DQ, “Lord Suplente” Darth Oda e demais membros. O espaço, como prega a filosofia hacker, é aberto, grátis e funciona na base do “só chegar”, embora aqueles que optem por apoiar o projeto, possam pagar uma mensalidade para ter direito a uma cópia da chave.

Daniel, um dos seus fundadores, trouxe o conceito que conheceu na Europa, e seguiu à risca a cartilha do Hackerspace, criando a pessoa jurídica, cadastrando o Garoa no portal hackerspace.org mundial e sendo um excelente anfitrião, que inclusive, mesmo atolado de trabalho e às vésperas de viajar para a FISL (Fórum Internacional do Software Livre, http://softwarelivre.org/fisl13) no Rio Grande do Sul, perdeu um tempinho para me mostrar todo o espaço com um entusiasmo único. O estêncil nas paredes, inclusive, foi ele que fez e faz…

Agora você está se perguntando, e o tal do FOSS do título? Pois bem, se um software livre criado no regimento do código aberto é chamado de Open-Source, seja o software pago ou não, o hardware criado nestes preceitos é chamado de FOSS, Free-Open-Source-System, e estes espaços já criaram os artigos mais fantásticos, mas isso é tema para uma outra coluna.

Para saber mais sobre o Garoa:

https://garoa.net.br/wiki/Garoa_Hacker_Clube:Sobre

Para conferir sua agenda permanente de eventos:

https://garoa.net.br/wiki/P%C3%A1gina_principal

Hackerspaces no mundo:

http://hackerspaces.org/wiki/List_of_Hacker_Spaces

Artigo enviado por Emanuel Campos
site: fellowpalm.wordpress.com
Twitter: twitter.com/emanuelcampos

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  • Rodrigo

    Tava querendo mesmo juntar uma galera anima pra desenvolver um Raspberry PI BR!!!!! xD Quem sabe, daqui uns meses não monto um hackerspace pra desenvolver um foss xD
    abraços.

    • http://fellowpalm.wordpress.com Emanuel Campos

      Olá Rodrigo, se você for de São Paulo, eu gostaria de ir a um dos seus encontros. Sou louco para ver um destes micro-PC’s funcionando ao vivo e a cores!

  • http://www.mindbending.org Magnun

    Ótimo artigo, tomei conhecimento do garoa hacker por intermédio do Alvaro Justen (Turicas). Tenho a intenção de criar uma iniciativa semelhante a essa aqui em Brasília, porém mais votlada para software.

    Gostaria apenas de sugerir duas correções rápidas. Tenho a ligeira impressão de que o termo benchmark foi utilizado incorretamente, pois este etá vinculado ao teste de desempenho de uma dado programa/sistema/hardware. Acho que o termo buscado era reverse engeneering. Por último, FOSS é acrônimo de Free Open Source *Software*.

    No mais obrigado por ajduar a divulgar esta iniciativa.

    • http://fellowpalm.wordpress.com Emanuel Campos

      Olá Magnum, obrigado pelos comentários e pelo elogio. Sobre suas observações, na indústria mecânica/eletro-mecânica o termo benchmark realmente é utilizado para desmontar, entender como é feito e fazer algo com mesmos resultados. Como tecnólogo mecânico, inclusive eu sempre soube dessa acepção da palavra, até entender que no setor de software se refere à comparação de desempenhos. Por isso elegi usar este termo, mas sua sugestão, reverse engineering também está correta. Sobre o FOSS, na indústria de prototipagem rápida (pretendo fazer desse meu tema) a expressão foi adaptada para descrever sistemas livres para copiar e reproduzir, justamente para diferenciar de tantos outros métodos patenteados no setor. Mas agradeço demais seus comentários, nota-se que se interessou pelos temas. Fique à vontade para corrigir sempre.

      • http://www.mindbending.org Magnun

        Obrigado pela pronta resposta.

        Eu imaginei que realmente havia ocorrido apenas uma confusão entre os termos, mas achei muito interessante o fato de termos (da área de software) serem aplicados de maneira diferente na área mecânica/eletro-mecânica.

        Tenho interesse pela área sim devido a minha área de formação (Eng. Elétrica/Telecom), apesar da minha vivência na área de Hardware ter limitado-se ao uso de microcontroladores PIC (na época da Faculdade). Mas desde que tomei conhecimento do Arduino voltei a me interessar pela área.

  • Naygno

    O link hackerspace.org tá com problema.

    • http://fellowpalm.wordpress.com Emanuel Campos

      Valeu pela informação. Vou entrar em contato com eles, mas acho que é só uma atualização de material.

  • adilson

    Muito interessante, serve para desmistificar a figura do hacker como um invasor indesejavel, um espalhador de virus.

    • http://fellowpalm.wordpress.com Emanuel Campos

      Verdade! Pobres hackers, sempre acabam levando a má fama, e são os maiores curiosos e desenvolvedores da internet! Obrigado pelo comentário.

  • Salsa

    Gostei. Me pareceu uma espécie de “evolução” do que o pessoal do clube do hardware faz. Tomara que a idéia vingue.

    • http://fellowpalm.wordpress.com Emanuel Campos

      De certa forma, é isso mesmo. Valeu pelo comentário!

  • http://twitter.com/hiper4tivo @hiper4tivo

    Que legal.

    Irei um dia lá pra conhecer!

    • http://fellowpalm.wordpress.com Emanuel Campos

      Pois já está intimado a comparecer!!! Valeu o comentário.