Faça sua escolha: Liberdade ou Modernidade?

Vinícius Vieira 31/07/2012 12
Faça sua escolha: Liberdade ou Modernidade?
Share

Hoje, nos principais sites e blogs do mundo sobre Linux e Software Livre, foram publicadas matérias a respeito de um post que Richard Stallman, o “pai” da Free Software Fundation (Fundação do Software Livre) e maior defensor da liberdade do software, publicou.

Com o título “Jogos não livres para GNU/Linux: bom ou ruim?” (tradução livre), o artigo aborda a preocupação que Richard Stallman tem com relação a vinda de jogos famosos para o “ecossistema Linux”, tendo em vista que os fabricantes e desenvolvedores destes games não irão abrir os códigos fontes dos mesmos para os tornar livres.

Richard Stallman

Estes games rodarão nativamente em ambientes Linux, porém serão pagos e, no caso da Valve, o Steam, que é a plataforma em que os games rodam, continuará sendo de propriedade dela, assim como os outros games de outras empresas que, apesar de rodarem em Linux, terão seus códigos fechados e serão licenciados por copyright.

Stallman chamou esse esforço de “antiético”, apesar de confirmar que isso tudo pode incentivar outros usuários destes games a saírem do Windows e virem para o Linux. Ele ainda completa dizendo: “o que esses jogos ensinam para as pessoas da nossa comunidade?”

Após ler este texto e veio a imagem do filme Matrix, onde Morfeu oferece a Neo duas pílulas: em uma delas Neo seria ria “liberto” da matrix e na outra ele se esqueceria de tudo que viu.

Mas o que tem isso haver com o artigo de Stallman?

Estamos vivenciando um momento ímpar onde o GNU/Linux nunca foi tão difundido, usado e comentado. Não preciso nem citar as grandes empresas, governos, entidades e pessoas públicas que tem levantado a bandeira do Linux. Porém, mesmo com todos estes avanços (e aqui cabe citar o Ubuntu, que é a distro mais popular e mais bem aceita entre os novos usuários, e o Android, que apesar de ser acusado de possuir firmwares proprietários em seus códigos, tem levado o Linux a lugares nunca antes pensados), algumas vezes parece que não queremos estar preparados para crescer.

Quer ver um exemplo? Uma vez eu fui a cidade de Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul. Ela é uma das maiores cidades do estado, porém não foi projetada para tal. Logo, apesar do seu crescimento astronômico e do desenvolvimento que chegou aquele lugar, algumas coisas ainda são bem características de “cidade pequena”, como as ruas estreitas e calçamento de paralelepípedo em boa parte da cidade (me perdoem os gaúchos, mas foi essa a impressão que eu tive).

Santa Maria – RS

Trazendo isso pra nossa realidade, eu vejo que o Linux tem potencial pra tranquilamente ultrapassar o Windows nas áreas que o mesmo ainda domina, como por exemplo, os desktops, mas não basta potencial. Existem outros fatores importantes como coesão e visão, que faltam no mundo Linux.

Falta coesão pois não somos unidos como um todo. Somos unidos nas nossas “sub-comunidades”, ou seja, se eu uso Ubuntu vou ser unido com quem usa Ubuntu, se uso Fedora vou ser unido com que usa Fedora. Isso, de certa forma é óbvio e normal, porém o que não pode acontecer é: se eu uso Fedora, vou me juntar aos outros que usam Fedora pra falar mal do Ubuntu, ou de quem usa ele. Você tem o direito de usar a distro, ou o SO, que quiser, e inclusive não concordar com atitudes de outras comunidades, como por exemplo a Canonical. Eu sou usuário Ubuntu e não concordo com muita coisa que a Canonical diz ou faz, porém não tenho o direto de atacar outras distros, difamando-as perante outras pessoas que, muita das vezes, nem usuárias Linux são, como por exemplo, comentários infelizes em redes sociais. Não concordar é uma coisa e atacar é outra.

E falta visão pois, num momento como esse, onde é a primeira vez que uma empresa de game se importa com o Linux, pessoas influentes no nosso ecossistema, como o Stallman, se levantam e descordam desta parceria, tendo em vista que as empresas não decidiram abrir o código dos seus softwares, elas apenas irão reescrevê-los para Linux.

Quer ver um outro exemplo? Quando a Canonical e o Projeto Fedora decidiram “criar” alternativas ao Secure Boot, a FSF mais uma vez se levantou contra dizendo que, usar códigos fechados ou chaves da Microsoft vão contra as leis de liberdade do software.

Ok, a FSF está correta. Mas por que, ao invés de atacar e descordar, não criou uma solução 100% livre? Quem sou eu pra falar da FSF ou de quem quer que seja. Minha intenção é levantar aqui um debate sobre estas questões. Eu só acho que o conceito de “liberdade” está sendo deturpado. Pra mim, ser livre é poder fazer o que eu quero: livre pra instalar o que eu quiser na minha máquina, livre pra usar o que eu instalei da maneira que eu quiser e livre pra alterar e distribuir da forma que eu quiser. Não são essas as Quatro liberdades do Software Livre? Inclusive, eu sou livre pra migrar novamente pro Windows, se assim eu quiser (tá amarrado! rs). Eu sou livre!

Eu entendo a preocupação do Stallman com relação ao Secure Boot. Apesar dele ter sido meio “teórico da conspiração”, eu entendo. Ele não quer que uma distro apenas monopolize o bootloader e as chaves UEFI para todo universo Linux, principalmente quando esta distro (o Ubuntu) tem uma empresa por trás, a Canonical. Agora, com relação ao Steam, me desculpe, não concordo. Se fosse assim, por sermos todos uma “comunidade de Software Livre”, não poderíamos usar em nossos sistemas aplicações tão úteis como o navegador Chrome (apesar de ter a versão Open Source, Chromium) ou aplicações que nos integre com o restante do mundo, como por exemplo o Skype, além de tantas outras.

E você. o que acha disso tudo?

PUBLICIDADE


Quer continuar por dentro das novidades do Blog Seja Livre? Siga o nosso perfil no TWITTER, curta a nossa página no FACEBOOK ou adicione o Blog Seja Livre nos seus círculos do GOOGLE+. Se você usa ORKUT, nós também estamos lá, inclusive no IDENTI.CA e Linkedin.

  • Pingback: X4GO Live #03 - com participação de Ubuntroll e Israel Teixeira | Tech4Noobs

  • Icaro

    Stallman nao aceita software proprietario, todos que o conhecem sabe disso.
    Ter liberdade eh usar algo que voce eh livre para mexer, modificar, melhorar, sem dependencias de intermerdiarios.
    Mas se liberdade for “escolher o que for melhor”, voce tambem tem a opcao de ficar preso, por exemplo.

    Leiam os excelentes artigos de Stallman e entenderao que ele sempre foi coerente nesses 30 anos de defesa do software livre.

    *teclado en-US

  • http://fellowpalm.wordpress.com Emanuel Campos

    Concordo em gênero, número e grau. Como diz o ditado, “toda maioria é burra”, o que eu adaptaria para “toda generaliza”, afinal, como você mesmo disse muito sabiamente, ser livre é ser livre para escolher o que eu quiser. Acho que esta compatibilidade é excelente entre a Valve eo Linux e espero mais iniciativas como essa. Se eu quero pagar, ótima, se eu não quero pagar, uso uma iniciativa livre. Simples fácil assim.

  • http://twitter.com/hiper4tivo @hiper4tivo

    Parece que estamos discutindo religião aqui.

    Qual é o problema de criarem programas de código fechado?

    Muita gente usa skype ou produtos Google (e todos tem o código fechado).

    Ou redes sociais como facebook ou twitter?

    Na núvem, os códigos ficarão cada vez mais fechados.

    Quem aqui é desenvolvedor web, por acaso abre o código que cria para algum cliente?

    Não é bem assim pessoal.

    Eu preferia que todo software fosse livre, mas para chegarmos a isso existe uma caminhada longa.

    Para chegarmos até o fim dessa caminhada, precisamos primeiro de adesão de mais usuários, e infelizmente sabemos que muitos dependem de programas proprietários.

    E se usam software proprietário, melhor usar em um SO GNU/Linux do que no Windows ou iOS.

    Uma vez que a maioria tenha migrado para GNU/Linux (seja lá qual for a distro), aí sim chega a hora de discutirmos isso.

    Querer tudo livre antes de atender 100% os usuários é colocar o carro na frente dos bois.

  • carlos

    As bravatas do vom e velho Richard “baú sem alsa” Stallman.

    Aproveitemos o lehor dos dois mundos. Prefiro um software fechado e bom do que uma bost… livre.

    Alguém aqui usa aquela coisa horrorosa do gnash, substituto livre do flash, que não roda nada em lugar nenhum?

    Em compensação uso o icedtea7 no lugar do java, há um ano, e não tenho d oque reclamar.

  • carlos

    O bom e velho Richard “ai que chato” Satllman lançando suas advertências ao vento. Nunca haverá um mundo 100% livre nem fechado.

    Então nos acostumemos com isso.

    Além do mais, é preferível um software fechado e bom do que uma bost… aberta como o gnash, “flash” livre que não roda nada em lugar nenhum!

    Em compensação, uso o icedtea7 no lugar do java, há um ano, e não tenho do que reclamar.

    Senhoras e senhores: aproveitemos o melhor dos dois mundos!

  • Daniel Sathero

    Bem, acho que isso é muito complicado, pelo o fato de que se a Canonical e a Redhat não fizerem nada, a Microsoft vai monopolizar o mercado. E se elas fizerem e não a FSF (que deveria estar trabalhando nisto invéz de criticar), estarão obrigando os usuários a utilizarem uma das duas distros indo contra a filosofia Gnu/Linux.

  • http://Seusite... FraterLinux

    Vinícius,

    Você está defendendo a liberdade da empresa e desenvolvedores manterem o código fechado. Porém, quando achamos normal essa liberdade e defendemos ela, estamos na verdade tirando a NOSSA liberdade de acessar o código, modificá-lo e aprimorá-lo e publicá-lo novamente para que esse ecossistema seja saudável para todos! Chrome por ser baseado no Chromium que é aberto contribuí muito para o mundo Open Source. Imagine a grande contribuição ao mundo Open Source ao se ter jogos de qualidade baseados em Open Source!!!

    • Vinícius Vieira

      Na verdade FraterLinux, eu estou defendendo o direito do usuário em instalar o que quer em seu sistema. Não defendo a empresa, apesar da mesma ter liberdade de seguir a filosofia que bem entender.

      Me refiro ao fato do usuário poder instalar e usar o que quer. Atitudes como essa que “falam pela comunidade” em dizer o que os usuários de software livre devem ou não usar, tiram a liberdade dos usuários, vc não acha? Mesmo que seja na forma do conselho. Richard Stallman, nunca disse o que podemos ou não usar, mas vive “orientando”.

      Veja o Linus… o cara usa um chromebook! E foi o primeiro a falar o que todos acham: um MAC é muito mais bonito e “perfeito” que qualquer PC.

      Isso é liberdade!

  • http://sejalivre.org Vinícius Vieira

    Gente, eu concordo com o Stallman. Inclusive, se não fosse pela iniciativa dele, não existiria as “opções livres” que temos hoje, que inclusive são muitíssimo melhores que muitas opções fechadas e/ou pagas.

    A questão é com relação ao “o que é liberdade”. Se uma empresa de renome quer portar seus games pra Linux, excelente iniciativa! Se ela vai portar mas não vai abrir o código, que pena. Mas continua sendo ótimo pro universo Livre, pois mostra que representamos uma fatia expressiva no mercado.

    Sinceramente eu não conhecia os projetos que o FraterLinux citou. Ótima ideia da FSF, porém temos que perder essa ideia de que temos que criar as coisas pro nosso mundo pois TUDO que usamos tem que ser livre. Se isso puder acontecer, e acontecer com qualidade, ok. Agora se não, deixe quem quer usar, investir e incentivar fazer, afinal, isso é liberdade.

  • http://Seusite... FraterLinux

    Sempre vejo distorção quanto ao que Stallman diz, pois ele não é contra se cobrar ou ter lucro, ele é contra cobrar e manter o código fechado. Ele pede aos usuários que apoiem projetos que façam jogos Open Source e que sejam de qualidade. Nem vi citação ao concurso de jogos livres: “Em vez disso você pode avisar as pessoas sobre o concurso de jogos livres Liberated Pixel Cup, o Free Game Dev Forum, e a noite de jogos livres do LibrePlanet Gaming Collective.”

  • Deivid

    Se parar para entender direitinho o que o Stallman falou e defendeu dá pra ver que ele está coberto de razão:

    1º Ele diz que ter jogos proprietários no Linux é melhor do que não ter, mas não é tão bom quanto seria se esses jogos fossem de código aberto (e só o código de funcionamento do jogo, não a parte gráfica).

    2º A verdadeira essência de quem criou o Linux e o projeto GNU era de serem livres e poderem modificar o código da forma que quisessem… o GNU/Linux surgiu POR CAUSA disso.

    Bom o que eu vejo é que Stallman tem razão… afinal A PRÓPRIA Valve convenceu a Intel a abrir o código do seu driver de placa de vídeo para Linux não foi???