Em um mundo com Android e iOS, será que o Ubuntu Phone OS tem chance?

Vinícius Vieira 03/01/2013 4
Em um mundo com Android e iOS, será que o Ubuntu Phone OS tem chance?
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Se o ano de 2012 foi bom para o Ubuntu e para Canonical, 2013 promete muito mais. Já no segundo dia do ano a Canonical anunciou seu mais novo produto: algo que não diz respeito somente ao “universo Linux” mas um produto que pode chegar as mão de quem nunca pensou em usar Linux ou até mesmo de quem não gosta do Ubuntu – o Ubuntu Phone OS.

Com um kernel Linux otimizado para arquiteturas ARM e usando os mesmos drivers do Android (o que garante a ele a mesma possibilidade de expansão do Android), o Ubuntu Phone OS é um Sistema Operacional móvel amplamente completo e que pode fornecer ao usuário as mesmas facilidades e usabilidades do famoso SO mobile do Google. Se você ainda não viu o vídeo oficial do lançamento, assista-o abaixo:

A ideia é bacana mas a pergunta que ecoa por trás disso tudo é “Será que o Ubuntu Phone OS tem alguma chance contra o Android e o iOS da Apple?”

Se voltarmos no tempo e lembrarmos do lançamento o primeiro iPhone (o 2G) em 2007 constataremos que o mundo ficou espantado com as possibilidades de se ter um Sistema Operacional completo instalado em um telefone celular. Na época o Blackberry já imperava porém a Apple investiu no que os usuários queriam (ou nem sabiam que queriam mas se tornaria essencial) e que os Blackberrys não tinham: tela totalmente touch, interface bonita, design inovador, atualizações recorrentes de aplicativos, possibilidade de desenvolvimento de novos aplicativos, App Store bastante variada e atualizada e etc.

O Google, que já era alvo de boatos sobre seu ingresso no mercado móvel, anunciou o primeiro smartphone com Android do mercado, o HTC Dream, em 2008. Apesar de trilhar na mesma ideologia da Apple com seu iOS, o Google tomou um caminho diferente e decidiu liberar o Android como Sistema Operacional móvel livre e aberto (apesar de usar alguns firmwares fechados), disponibilizado ROMs para download e firmando parcerias com as principais fabricantes de smartphones do mercado para liberar “Androids para todos os bolsos”; iniciativa que foi decisiva para o sucesso quase que imediato do Android no mundo todo.

Neste meio tempo algumas empresas e comunidades de desenvolvedores decidiram usar a ideologia do Android e liberar SOs móveis TOTALMENTE Open source, onde podemos citar o WebOS que foi desenvolvido pela Palm e pela HP, o Tizen OS que foi desenvolvido pela Panasonic, Intel e Samsung e o Firefox OS, que de todos os citados é o mais promissor, pois está numa fase bem avançada do seu desenvolvimento.

Android e iPhone: os gigantes do mercado Mobile

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A Canonical veio de um ano onde o Ubuntu foi muito bem falado fora da comunidade linux. Tivemos a apresentação do Ubuntu para Android e da Ubuntu TV (outros produtos que, apesar de anunciados, ainda não foram lançados) na CES e no World Mobile Congress, vimos a Valve se interessar nos usuários Linux e decidir liberar seu cliente Steam para Ubuntu, porém dentro da comunidade linux o Ubuntu recebeu críticas severas, como por exemplo a implementação da Lente Comercial no Unity, a qual exibe conteúdos publicitários da Amazon no desktop dos usuários, e o “peso” do Ubuntu em relação a outras distribuições Linux.

A quem diga que o Mark Shuttleworth é o novo Steve Jobs… bem, o que ele não é de fato é burro! A Canonical, apesar de ser uma empresa voltada ao Open Source está usando a mesma tática das grandes empresas de tecnologia quem desenvolvem e comercializam produtos fechados (ou por que não dizer a mesma tática que todo o resto do mundo usa): o marketing.

Sinceramente eu não enxergo uma lacuna de mercado onde o Ubuntu Phone OS possa entrar e competir de igual pra igual com o Android e o iSO: um SO mobile totalmente Open Source não é um produto que reflita a necessidade do mercado e sim a de uma pequena fatia de usuários. Isso é fato! Porém o marketing é tudo neste mundo onde vivemos, haja vista o Windows Phone 8 (que é uma tremenda porcaria comparado ao Android e o iOS…), que apesar de não ter feito o sucesso que a Microsft esperava está vendendo bem.

Se a Canonical quer realmente entrar nesta “briga de cachorro grande” é melhor investir muito bem em marketing pois se não o Ubuntu Phone OS, que apesar ao meu ver ser bastante promissor e interativo, poderá acabar pior que o Windows Phone.

E você, o que acha disso tudo? Na sua concepção existe mercado para o Ubuntu Phone OS? Será que os usuários Linux seriam os primeiros a consumir este produto ou ele faria mais sucesso fora da comunidade?

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  • Liv

    Mark nunca escondeu que é fã de titio Jobs e acredita na idéia de Hub Digital da apple.
    A diferença é que hoje em dia o hub está migrando do desktop para o celular. Ninguém mais anda com váaaarios gadgets na bolsa (cameras, filmadoras, mp3, leitores, etc), pois o celular faz tudo isso.
    A idéia do ubuntu para android deixou claro que a intenção não é apenas criar um So para celular, mas sim criar um SO que, ao ser ligado numa tv ou num teclado (maior deficiencia do celular/tablet) funcione como um computador completo.
    O Ubuntu phone é só o primeiro passo, bem como as smart tvs, e acredito que no futuro, os celulares com hardware cada vez mais robusto poderão sim trabalhar como um desktop muito mais portátil e integrado que qualquer ultrabook.