Comprei um PC com UEFI e não consigo instalar um Linux! O que eu faço?

Vinícius Vieira 24/04/2012 7
Comprei um PC com UEFI e não consigo instalar um Linux! O que eu faço?
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bannerAo contrário do que muita gente pensava, sorrateiramente o UEFI já está sim entre nós… mas o que é esse tal de UEFI?

O Unified Extensible Firmware Interface – UEFI – é um software desenvolvido para ser sucessor da boa e velha BIOS. Ele é um projeto de “código aberto” que acabou virando uma organização dirigida por 11 empresas, como IBM, DELL, HP, Apple e Microsoft, dentre outras.

Sua principal função é fornecer mais suporte e opções aos usuários, como utilizar o mouse no seu painel de configuração (o que é impossível na BIOS, devido a sua tela de 8 bits com um visual “anos 80″), acessar a internet, abrir mídias removíveis como CDs e DVDs e mais. Pra você ter uma ideia, a velocidade de boot de uma máquina com tecnologia UEFI, independente do SO utilizado, é infinitamente maior que de uma máquina que utiliza a BIOS. (leia mais sobre a UEFI neste artigo do nosso parceiro Orgulho Geek)

Se formos analisar a tecnologia com as informações mencionadas acima, com certeza iríamos concordar que o UEFI é uma excelente escolha na hora de comprar um PC… mas infelizmente, o assunto não termina aí.

O UEFI começou a ser utilizado pela Apple em seus MACs para dificultar que os usuários pudessem mudar o sistema operacional pré-instalado. Eu disse dificultar e não impedir, pois a Apple, apesar de ser uma das 11 empresas que desenvolvem o UEFI, usa um UEFI “próprio”: um código alterado da tecnologia que funciona em sistemas suportados também pela BIOS.

O UEFI “original”, que está em pleno desenvolvimento e implantação, e foi divulgado no ano passado que será um “pré-requisito” cobrado pela Microsoft às empresas que quiserem vender seus PCs com o Windows 8 instalado, utiliza uma tabela de partições GPT, que não possui MBR. Calma ai, agora complicou! MBR, GPT… o que é isso?

MBRMaster Boot Recorder – é um espaço de 512 bytes, que contém  informações da estrutura organizacional do disco (partições e código de arranque do sistema operacional). Na MBR é onde o bootloader (carregador de boot) de um SO é instalado no padrão BIOS. No caso de sistemas Linux, na MBR é instalado o GRUB ou o LILO, dependendo da sua distribuição. O GRUB hoje é o carregador de boot mais utilizado no mundo Linux. (Nós iremos comentar sobre os carregadores de boot na nossa coluna Dicas LPI nesta quinta-feira, não perca!)

GPTGUID Partition Table – desenvolvido pela Intel, o GPT foi criado para ser usado em compatibilidade com a tecnologia UEFI. Ele é nada mais que uma “tabela de partições” de um disco rígido que não utiliza a MBR. Em seu lugar, o GPT usa um bloco de endereçamento lógico chamado de “MBR Legacy”, o qual é estruturado para impedir que sistemas que utilizem MBR sejam instalados.

Em outras palavras, a Microsoft só irá liberar o Windows 8 para ser instalado em máquinas cuja a montadora (ex.: DELL, HP, Lenovo, Asus e etc) se comprometa a utilizar a tecnologia UEFI. Mas por que isso? Simples: para dificultar que os usuários troquem o SO instalado na fábrica, utilizem Dual Boot ou instalem versões piratas do Windows. Essa imposição da Microsoft ficou conhecida como Security Boot, pois, segundo ela, esta medida foi tomada para impedir a infecção por “vírus de boot”.

Mais uma vez eu utilizei a palavra dificultar ao invés de impedir, porém agora o motivo foi diferente. A Microsoft acreditava que com esta implementação, ela iria estagnar o avanço de Sistemas Operacionais abertos, como o Linux e o FreeBSD, porém ela não contava com um simples e crucial detalhe: a Comunidade.

Hoje já é possível, apesar de muito trabalhoso ainda, instalar uma distribuição Linux em um PC com tecnologia UEFI, graças ao carregador de boot GRUB-EFI (que nada mais é que o GRUB2 modificado para sistemas UEFI) e ao eLILO, que pode ser usado em qualquer distribuição Linux. Durante a minha pesquisa na elaboração desta matéria, eu encontrei alguns tutoriais que explicam de forma detalhada a instalação das distribuições Linux citadas abaixo com algum destes bootloaders:

O primeiro deles foi montado pela comunidade do Ubuntu, que inclusive desenvolveu um passo-a-passo muito bem elaborado para instalação da sua distribuição em PCs com UEFI, como você pode conferir neste e neste link.

A comunidade do Arch Linux também desenvolveu um passo-a-passo para instalar o Arch em um PC com UEFI, como você pode conferir neste link.

A comunidade Fedora também não deixou a desejar e publicou seu guia de instalação do Fedora em PCs com UEFI neste link. (note que serve para a versão 14 do Fedora).

Para outras distribuições, infelizmente eu encontrei materiais muito insubstanciais ou ainda em desenvolvimento.

Mas não pense que não está sendo feito nada de oficial que englobe toda a comunidade Linux a respeito disso. A The Linux Foundation, organização criada para manter, desenvolver e promover o kernel Linux, publicou um plano de ação que examina o UEFI e oferece alternativas as montadoras de PC (conhecidas como OEM’s), o qual você pode conferir neste link. Além da TLF, a Free Software Foundation (FSF), organização criada para proteger a liberdade do software, elaborando licenças como a GPL, AGPL, LGPL, Apache e etc, criou uma campanha quase que militar contra as atitudes da Microsoft e a sua “cúpula dos 11″ por trás do UEFI.

De fato ainda há muito a ser feito. Tanto politicamente, quanto tecnicamente. Algo que ainda me perturba é uma música de fundo quase que imperceptível que está sendo tocada nos bastidores desta novela… se as negociações entre as organizações que representam o software livre e o Linux com as empresas difusoras do UEFI não obtiverem muito sucesso, chegará um tempo que entraremos em um paradoxo: nós, usuários Linux, defensores da liberdade e contrários ao software pirata, estaremos cometendo pirataria para instalar o nosso software livre em um simples PC.

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