Como fica a nossa privacidade com as novas implementações do Unity?

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Esta semana a comunidade Ubuntu está em pavorosa, tendo em vista a nova implementação do Unity 6.6, presente no Ubuntu 12.10, que adiciona sugestões de produtos da Amazon quando você faz uma pesquisa usando o painel.

Muito se tem discutido sobre a questão, inclusive o nosso amigo Julian Fernandes, do Ubuntu-BR-SC, escreveu um post bastante elucidativo sobre o fato, onde explica que a novidade pode ser simplesmente desinstalada do sistema caso o usuário queira.

Porém, algo que muitos de nós ainda não nos demos conta é sobre como ficará a privacidade dos dados dos usuários que mantiverem o mecanismo instalado no seu Ubuntu… Jono Bacon, um dos desenvolvedores do Ubuntu e o responsável pelo desenvolvimento do Ubuntu Gnome Remix (a versão oficial do Ubuntu com Gnome), publicou em seu blog um post explicando o fato:

Quando você faz uma pesquisa, a Canonical recebe o endereço IP original do pedido, as palavras que você digita e o resultado da busca (se houver), e nada mais. Nós não realizamos qualquer tipo de “tracking”, e não há realmente nada que pudesse levar à identificação do endereço IP.

A pesquisa é implementada através de requisições HTTP em claro em nossos servidores pertencentes aos nossos Data Centers em Londres e nos EUA e, posteriormente, encaminhados para os fornecedores relacionados com a geolocalização do usuário. A única informação potencialmente identificável – o endereço IP do requerente – não é transmitida, a menos que o serviço de destino tenha a necessidade de pesquisar (no momento, apenas um dos mais de 20 provedores precisam desta informação: a fonte de vídeo Headweb precisa de geoip para trackear usuários em países escandinavos).

Nós apreciamos o fato de que uma parte da comunidade teme que as pesquisas não sejam criptografadas, e estamos trabalhando para criptografar essas pesquisas a partir do dash para liberar esse recurso no Ubuntu 12.10. Isto deve eliminar a maioria das preocupações sobre o tráfego não criptografado e possíveis vazamentos de dados.

Assim sendo, as pesquisas à partir do dash funcionarão assim:

  1. O usuário digita sua pesquisa no dash e pressiona enter;
  2. Os termos da consulta são enviados, juntamente com o seu endereço de IP, aos centros de dados da Canonical nos EUA e Reino Unido (no momento somente estes);
  3. O endereço IP é registrado pelo httpd, o servidor passa a busca por seu nome entre os vários serviços on-line;
  4. Estes serviços online fornecem seus resultados aos servidores da Canonical, que, por sua vez, os repassam ao usuário que fez a solicitação;
  5. O usuário, se estiver interessado, clica no resultado;
  6. Este clique será enviado para a Canonical (o endereço IP X, que realizou a busca Y e clicou no resultado Z).

Até o presente momento foi confirmado que os IPs dos usuários serão usados apenas para fins de relatórios, e estes dados serão manipulados por peritos em segurança, na Canonical.

Comentário

O único problema que vejo nisso tudo é na interação dos novos usuários do Ubuntu com esta tecnologia. É muito fácil falar que “se você não quiser ter isto no seu Unity é só desinstalar”. Eu saberei desinstalar isso (ou pelo menos irei procurar saber), você pode saber desinstalar, mas e os novatos no Ubuntu? Provavelmente o Ubuntu 12.10 não virá com uma espécie de “Termos de Uso” pra explicar que o Unity “pode” transmitir seus dados… isso, de certa forma, é complicado.

Por outro lado, diariamente somos manipulados monitorados pelo Google de forma massiva e, a grande maioria de nós, nem se quer se preocupa com isso…

E você, o que acha disso?

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  • https://solartuts.wordpress.com/ Thiago

    Sinceramente, estou muito desapontado com o Ubuntu. Era minha distribuição favorita, mas acho que eles estão tomando algumas decisões que pecam no princípio de respeito ao usuário. Vender aplicativos no Software Center, ok, já estava meio difícil de engolir mas passava… Agora isso de sugerir produtos na pesquisa? Parece que fica cada vez mais difícil fugir dos anúncios, mesmo em um SO open source :(

  • luiz monteiro

    Quase todos os aplicativos(veja bem aplicativos de terceiros) para windows instala, na maioria das vezes(na surdina) o tal de “open-candy”(adware) que é exatamente isso que a canonical está implementando, para desinstalar depois é um parto, você já deve ter conhecimento disso, mas pelo que vejo como foi comentado por você, eles querem pegar é os novos usuários(também na surdina), claro que agora vão avisar, mas que botaram o bode na sala para ver o que ia dar isso fizeram.

  • http://khfw.wordpress.com FABIO

    Não gosto de sistemas ou empresas invasivas demais mas o mundo globalizado é esse.

    É imposível ficar ao largo a não ser que você não tenha sido registrado ao nascer, nunca falou ao telefone, usou um computador, tirou uma foto ou foi visto por algum outro ser humano.

    Um ponto que você levantou é o mais importante nessa discussão, em minha opinião: e os usuários leigos?

    Se a Cannonical quer se expandir a ponto de ser uma alternativa viável para todos os tipos de usuários, deve se preocupar com isso.

    Para ser um produto palatável, é importante ouvir o usuário leigo pois ele é o público alvo futuro.

    Eu, particularmente, não me importo porque sei o que faço mas bloquearei essa funcionalidade para os outros usuários do computador para evitar problemas pois eles são leigos demais.